1995 - "O Coliseu é nosso!"

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A união faz a força.

O ano de 1995 foi aquele que marcou o momento mais decisivo de toda a história do Coliseu do Porto.

Tudo começou quando a Empresa Artística SA, pertencente ao Grupo Aliança - UAP, então proprietária do Coliseu, apresentou na Câmara Municipal do Porto um requerimento a solicitar o alargamento das actividades desta sala a conferências, festas, palestras, sermões, culto religioso e actividades de acção social. Este alargamento das actividades visava viabilizar a alienação deste espaço à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Foi o início da polémica.

A notícia da possibilidade do Coliseu passar para as mãos da IURD começou a espalhar-se. Os portuenses reagiram de imediato e, após uma manifestação às portas do Coliseu, no dia 4 de Agosto,  promovida por intelectuais, artistas, políticos, autarcas e outras personalidades, na qual foi distribuído o "Manifesto em defesa do Coliseu do Porto", no dia imediato um mar de gente encheu a Rua Passos Manuel, numa manifestação espontânea com uma grandiosidade sem precedentes na cidade do Porto, que surpreendeu o país inteiro. Aos populares, que gritavam “O Coliseu é Nosso”, juntaram-se novamente intelectuais, artistas, políticos e instituições. Todos juntos lutaram contra o fim anunciado do Coliseu do Porto, enquanto espaço e símbolo cultural da cidade. 

Para recolher fundos para a compra do Coliseu, foi feito o espectáculo “Todos pelo Coliseu”, a 7 de Setembro. A adesão foi maciça, tanto por parte do público, como por parte dos muitos artistas que actuaram gratuitamente. Foi um espectáculo apoteótico, que demonstrou o carinho e orgulho que os portuenses nutrem pelo Coliseu. 

Neste espectáculo surgem os primeiros sócios-fundadores da Associação dos Amigos do Coliseu do Porto (AACP), uma associação sem fins lucrativos, criada para assegurar o funcionamento e a gestão do Coliseu enquanto equipamento cultural de grande relevância para a cidade. E, em poucos meses, o seu número ultrapassaria os 5.000!

Foram todos estes Amigos do Coliseu que garantiram que esta sala de espectáculos emblemática se mantivesse um espaço aberto à cultura. À cidade. Ao mundo. E não deixasse de ser a voz do Porto.